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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Assumindo fraquezas - Lc 22.31

Pedro achava que estava pronto. A imagem que tinha de si mesmo era de um homem que não cairia, que nunca negaria Jesus... Pedro realmente achava que estava disposto a morrer por Cristo.
Talvez, por causa das experiências que tivera com Cristo. Ele viu Jesus fazer tantos milagres, ouviu as palavras poderosas e cheias de sabedoria, e pensou: Eu jamais abandono esse cara!
Talvez, pelas revelações que já tinha recebido, pelos milagres que ele próprio operara. Já tinha expulsado demônios, curado enfermos, e pensou: Eu já estou tão envolvido que até morro por essa causa!
Ele realmente achava que estava pronto, maduro, forte, convicto o suficiente pra enfrentar a morte. Mas não estava.
Eu também. Também já vivi muitas coisas com Cristo. Já o vi libertar poderosamente muitas vidas, inclusive a minha mesma. Já experimentei do seu poder. Já tive revelações poderosas. Já fui um instrumento poderoso e pensei: já estou num nível, num patamar em que não caio mais. Enfrento qualquer coisa por essa causa, pelo Reino. Mas, assim como Pedro, eu estava errada.
Por mais que estejamos nos sentindo preparados, fortes, dispostos mesmos a enfrentar a morte, nunca saberemos até estar diante dela.
Hoje o aviso que Jesus deu a Pedro acendeu um luz de alerta para mim: "não pense de si mesmo além do que convém" (Rm 12.3). Não pense que você é melhor do que realmente é.
É, eu não sou. Gostaria de ser daquelas que enfrentam tudo e permanecem inabaláveis, mas me abalo com facilidade. Gostaria de passar pelas lutas e adversidades com alegria, mas a tristeza me domina frequentemente. Gostaria de ser um exemplo de superação e força, mas tenho me sentido muito, muito fraca. Gostaria de ser aquela que enfrenta a morte com coragem, mas é possível que eu seja a primeira a correr quando ela chegar. Gostaria de ser melhor do que sou, porque sinto que tenho falhado em ser exemplo em muitas coisas.

Ser exemplo, ser forte, ser amorosa e exigente na hora certa, estar sempre pronta pra dar uma palavra de incentivo, quando eu mesma preciso de uma, tem sido um fardo pesado. Hoje decido trocar esse pelo de Jesus, que é leve. Não sou tudo o que deveria ser, nem tudo o que esperam que eu seja. Admito minhas fraquezas e sigo, confiante no Seu amor, que encobre multidão de pecados. Que o Seu poder se aperfeiçoe em mim.


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O desabafo de uma evangélica sufocada

Como é um desabafo, não tem introdução.
Não acredito que termos mais deputados, senadores (ou até presidente) cristãos se traduza, automaticamente, em um Brasil mais justo ou, digamos, menos iníquo. Acredito que isso acontecerá quando cada cristão viver o que Cristo prega no seu dia a dia. Como também não acredito que a transformação que ansiamos ver na sociedade brasileira venha através da política institucionalizada.
Pela minha visão de política, não é a existência ou não de leis que mudam a realidade vivida pelos indivíduos. É só pensar em quantas coisas são proibidas por lei e fazem parte da prática dos brasileiros - desde o aborto até ao trocadinho para o guarda. 
Pela minha visão de evangelho, a simples mensagem da cruz, de um perdão que não merecemos, vivida e compartilhada, tem o poder de transformação que nenhuma política institucional tem. Quando cada cristão, amar seu próximo (desde seu irmão da igreja até ao travesti), o mundo poderá ver Cristo em nós. E acredito que essa transformação será mais verdadeira, mais consistente. Alguém alguma vez já disse não estar em busca de uma transformação que venha de cima, mas uma transformação de corações. É nisso que acredito.
Não sou contra cristãos na política, nem contra evangélico ser presidente. Voto #Marina40 não porque é evangélica, mas porque é coerente, sensata e compartilho dos seus posicionamentos políticos. Porque quando ela estiver lá, ela será presidenta, não pastora. E será presidenta de evangélicos, budistas, ateus, umbandistas e hare krishnas rs!
Tenho certeza que muitos dos que lerão esse desabafo não curtirão, nem comentarão porque nosso pensamento tem funcionado assim: Falou contra aborto e casamento homossexual tem meu like, meu voto, minha consciência! Não falou, deixou dúvida: pode ser meu inimigo.
Essa situação chegou a tal ponto que quando alguém diz: "sou a favor da família tradicional e levem esses homossexuais pra bem longe de mim!" o povo aplaude! É como se "sou a favor da família tradicional" fosse a senha secreta para se aceitar qualquer coisa que venha depois!
Gente, vamos PENSAR um pouco. É isso mesmo que queremos? "Família tradicional" a qualquer custo? Até mesmo ao custo do segundo mandamento mais importante que Cristo nos deixou? O que é mais importante? Não acho que tenho a verdade final, nem que MEU posicionamento pessoal deva ser o de todos os cristãos, mas acho que a gente precisa parar e pensar: estamos em busca de quê? Eu não sei. Estou confusa...
Acho que devemos lutar por leis que achamos justas, sim. Contra o aborto? que o seja. Contra o casamento homossexual? ok! Estamos numa democracia e as coisas funcionam assim mesmo, na disputa de interesses diversos. O problema é que às vezes tenho a sensação de que isso se transformou numa outra coisa, numa espécie de Guerra Santa, numa disputa cega e burra: cristãos de um lado e homossexuais (e Luciana Genro hehe) do outro. Aí eu penso: Tá bom. E se vencermos? O que vamos ganhar? Eu não sei... Leis que impeçam o aborto, que mulheres continuarão fazendo? Leis que proíbam a união de homossexuais que continuarão se unindo? Eu não sei se vale a pena, sinceramente. Porque não é essa a transformação que busco... Mas também não acho que devemos nos calar e aceitar qualquer lei! Não, não é isso. Só temo que no meio disso tudo estejamos perdendo o amor...
Eu não tenho a fórmula pra isso, vou procurando votar em partidos/ pessoas que tem convicções semelhantes às minhas. Não voto em quem é a favor do aborto, porque não sou. Mas também não voto em quem prefere ver homossexual morto do que casado, porque não prefiro.